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ED 054
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A Lei 6.858 que libera o FGTS sem inventário

Com a certidão de dependentes do INSS, o FGTS, o PIS e o salário que ficaram no nome de quem partiu saem na Caixa, sem advogado.

Carteira de trabalho azul fechada sobre um envelope pardo numa mesa de madeira.

A carteira que ainda guarda um saldo na Caixa

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R$ 240 por mês, depositados pelo patrão na conta do FGTS de quem ganha R$ 3.000. Com o depósito do 13º, são R$ 3.120 por ano. Em dez anos de carteira, passa de R$ 31 mil, fora a correção. Quando o trabalhador parte, esse saldo fica parado no CPF dele, e a família costuma achar que só um inventário tira o dinheiro de lá.

A família paga caro por essa crença. Um inventário com advogado consome honorários, custas de cartório e imposto sobre herança, e pode levar meses. Para o FGTS, o PIS e o último salário, nenhum desses passos é obrigatório.

O atalho está numa lei de 1980, a Lei nº 6.858. Ela manda pagar esses valores direto aos dependentes habilitados no INSS, em partes iguais, sem juiz e sem inventário.

Dependente habilitado é quem o INSS reconhece como beneficiário da pensão por morte: o cônjuge ou companheiro, os filhos menores de 21 anos e o filho inválido ou com deficiência de qualquer idade. Na falta desses, entram os pais e depois os irmãos menores de 21 anos, pela ordem da lei da Previdência.

A prova é um papel só: a certidão de dependentes habilitados à pensão por morte, emitida de graça pelo INSS. Com ela, a certidão de óbito e o documento de identidade, o dependente vai a uma agência da Caixa e pede o saque.

A lei alcança mais do que o FGTS. Entram o saldo de salário que o empregador não pagou, as férias e o 13º proporcionais da rescisão e as cotas do PIS-PASEP. O decreto que regula a lei, de 1981, acrescenta a restituição do Imposto de Renda e saldos pequenos em conta bancária.

Quem não tem dependente no INSS segue outro caminho, o alvará judicial (a autorização do juiz para sacar um valor específico). É um pedido na Justiça mais simples que o inventário, mas com juiz.

O texto da lei que dispensa o inventário, o passo a passo até o dinheiro cair na conta e o caso de uma viúva de Contagem, em Minas Gerais, que sacou o FGTS do marido estão nas três partes abaixo.

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I  O dinheiro de hoje

O artigo 1º que dispensa o juiz desde 1980

A Lei nº 6.858 foi assinada em 24 de novembro de 1980 e tem apenas 5 artigos. O primeiro resolve o problema inteiro de quem ficou com um saldo trabalhista preso no nome de um parente.

O dependente habilitado no INSS saca FGTS, PIS e salário do falecido na Caixa, em partes iguais, sem inventário e sem advogado.

Os valores devidos pelos empregadores aos empregados e os montantes das contas individuais do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e do Fundo de Participação PIS-PASEP, não recebidos em vida pelos respectivos titulares, serão pagos, em quotas iguais, aos dependentes habilitados perante a Previdência Social (...) e, na sua falta, aos sucessores previstos na lei civil, indicados em alvará judicial, independentemente de inventário ou arrolamento. (Lei nº 6.858, de 1980, artigo 1º)

A frase tem quatro peças. "Não recebidos em vida" delimita o dinheiro: vale o que o trabalhador tinha para receber e não chegou a sacar. "Em quotas iguais" divide o total pelo número de dependentes, sem preferência por idade ou grau de parentesco.

"Habilitados perante a Previdência Social" define quem recebe: a lista do INSS, e não a lista de herdeiros do Código Civil. "Independentemente de inventário ou arrolamento" (o inventário simplificado, usado quando os herdeiros concordam) tira o juiz do caminho.

A diferença entre as duas listas pesa no bolso. Um filho de 30 anos é herdeiro pelo Código Civil, mas não é dependente no INSS. Se a mãe viúva está habilitada, ela recebe o FGTS inteiro, e o filho adulto fica fora dessa parte.

Com filho menor de idade, a lei protege a cota dele. O parágrafo 1º do mesmo artigo manda depositar a parte do menor numa caderneta de poupança, liberada só aos 18 anos. Antes disso, o saque depende de autorização do juiz para comprar a casa da família ou pagar sustento e estudo.

O que entra no saque pela Lei 6.858:

Saldo do FGTSentra
Cotas do PIS-PASEPentra
Salário e rescisão não pagosentra
Restituição do Imposto de Rendaentra
Imóvel, carro e investimento grandefica no inventário

O limite para conta bancária vem do Decreto nº 85.845, de 1981, e só vale quando não há outros bens a inventariar. Havendo casa ou carro no nome do falecido, o saldo do banco segue para o inventário junto com eles, e o FGTS continua saindo pela certidão.

E se ninguém da família estiver habilitado no INSS? A lei responde na própria frase: o dinheiro vai aos sucessores da lei civil, por alvará judicial. O pedido de alvará corre na Justiça estadual, sem a partilha completa dos bens.

 
 

II  Calendário do Dinheiro

Da certidão do INSS ao saque em 3 etapas

O caminho tem três etapas: a certidão pelo Meu INSS, o pedido na agência da Caixa e o crédito na conta do dependente.

A primeira etapa é pedir a certidão de dependentes. No aplicativo ou no site Meu INSS, o serviço aparece como "Certidão para saque de PIS/PASEP/FGTS". O pedido também sai pelo telefone 135, de segunda a sábado.

Quem já recebe a pensão por morte tem a habilitação pronta, e a certidão sai logo. Quem ainda não pediu a pensão faz a habilitação junto, com a certidão de óbito, a certidão de casamento ou de nascimento e o CPF de cada dependente.

A segunda etapa é a Caixa. O dependente leva a certidão do INSS, a certidão de óbito, a carteira de trabalho do falecido e o documento com foto de quem vai sacar. O número do PIS ajuda o atendente a localizar as contas mais rápido.

O calendário típico do saque:

Semana 1pedido da certidão no Meu INSS
Semanas 2 e 3certidão emitida e baixada em PDF
Semana 3atendimento na agência da Caixa
Dias depoiscrédito na conta do dependente
Aos 18 anosliberação da poupança do filho menor

O saldo de salário e a rescisão seguem caminho diferente. Esses valores estão com o empregador, e não com a Caixa. O dependente apresenta a mesma certidão do INSS no departamento pessoal da empresa, que deposita a parte de cada um.

A restituição do Imposto de Renda também sai pela certidão. Se o falecido era obrigado a declarar, alguém da família entrega antes a declaração final de espólio (o conjunto de bens e dívidas deixado por quem partiu) na Receita Federal.

Com filho menor de idade, a Caixa abre a poupança no nome da criança na hora do saque. O extrato mostra o valor, os juros correm todo mês, e o dinheiro fica travado até o 18º aniversário.

Há prazo para pedir? A lei não fixa data-limite para o dependente sacar o FGTS, e o saldo segue corrigido na conta enquanto ninguém retira. O risco do atraso é outro: a família esquecer que o dinheiro existe.

Para saber o saldo antes de ir à agência, o dependente pode pedir o extrato do FGTS do falecido no atendimento da Caixa, com o CPF e o número do PIS do trabalhador. Na agência, o atendente imprime o extrato completo, conta por conta.

 
 

III  Testado pela redação

Os R$ 64.820 do FGTS que Rosângela destravou sem advogado

Passo 1: peça no Meu INSS a certidão de dependentes habilitados à pensão por morte, pelo serviço de saque de PIS/PASEP/FGTS.

Passo 2: junte a certidão de óbito, a carteira de trabalho do falecido e o documento com foto de cada dependente.

Passo 3: leve os papéis a uma agência da Caixa e peça o saque pela Lei 6.858, citando o número da lei.

A redação acompanhou o caso de Rosângela Aparecida Moura, de 54 anos, moradora de Contagem, em Minas Gerais, que autorizou o uso dos números dela.

O marido, Valdir Moura, trabalhou 17 anos como operador de empilhadeira numa distribuidora de alimentos. Partiu em março de 2026, aos 58 anos, com carteira assinada e o FGTS inteiro na conta.

O casal tinha um filho de 16 anos, Lucas, e uma filha de 27, já casada. A casa da família estava no nome dos dois, e um cunhado recomendou um advogado para abrir o inventário de tudo.

O orçamento do advogado assustou: honorários de 6% sobre o valor dos bens, mais custas e o imposto estadual sobre herança. Rosângela resolveu separar o dinheiro do trabalho de Valdir, que a Lei 6.858 permitia tirar sem juiz.

Ela pediu a pensão por morte pelo Meu INSS em abril, com a certidão de óbito, a de casamento e a de nascimento de Lucas. A pensão saiu em 38 dias, e a certidão de dependentes veio junto, em PDF.

Em maio, Rosângela foi à agência da Caixa do centro de Contagem com a certidão, a carteira de trabalho de Valdir e o RG. O atendimento levou 50 minutos.

A conta do saque da família:

Saldo do FGTS de ValdirR$ 64.820
Cota de Rosângela, metadeR$ 32.410
Cota de Lucas, na poupança até os 18R$ 32.410
Saldo de salário e férias pagos pela empresaR$ 6.002
Honorários de advogadoR$ 0

A filha de 27 anos não entrou na divisão, porque não era dependente no INSS. Ela recebe a parte dela na casa, pelo inventário que a família abriu depois só para o imóvel.

A empresa depositou o saldo de salário e as férias proporcionais em junho, R$ 3.001 para cada dependente, depois de receber a mesma certidão do INSS no departamento pessoal.

Uma certidão gratuita do INSS liberou R$ 70.822 sem honorário, sem custa e sem esperar o inventário da casa.

A cota de Lucas rende na poupança até ele completar 18 anos, em 2028. Rosângela usou a parte dela para quitar o financiamento do carro e guardar uma reserva de seis meses de contas.

O saldo de FGTS de algum parente seu ainda está parado na Caixa?

Hoje: abra o Meu INSS, procure o serviço "Certidão para saque de PIS/PASEP/FGTS" e leia a lista de documentos, uma vez. Dez minutos, até amanhã às 20h.

 
 
O Mapa do Dinheiro Esquecido: oito frentes, uma por dia: O abono que espera o aniversário, O FGTS do emprego que acabou, A restituição que ficou pra trás, As cotas de antes de 88, O que o banco te deve, O dinheiro de quem já se foi, O papel esquecido na gaveta, A nota que devolve troco. Começar pelo dia 1.

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Quiz da edição

Pela Lei 6.858, o saldo de FGTS que cabe a um filho menor de idade fica onde até ele completar 18 anos?

ANuma conta corrente em nome dos pais
BRetido na Caixa até ordem judicial
CNuma caderneta de poupança aberta em nome do menor
DNum fundo de investimento escolhido pelo tutor

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
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