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ED 046
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A taxa de concurso federal que quem está no CadÚnico não precisa pagar

Renda de até meio salário mínimo por pessoa ou cadastro de doador de medula tiram o boleto da inscrição, com o NIS no formulário.

Formulário de inscrição impresso ao lado de um cartão de programa social e uma caneta gasta.

O formulário que dispensa o boleto

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R$ 90 de taxa para a prova de nível superior do Concurso Nacional Unificado, R$ 60 para a de nível médio. Quem tenta quatro editais federais por ano, com boleto de R$ 90 em cada um, deixa R$ 360 na conta da banca. Em três anos de preparação, a soma chega a R$ 1.080, pagos por gente que a lei manda não cobrar.

A regra está na Lei nº 13.656, de 30 de abril de 2018. Ela isenta da taxa de inscrição dois grupos de candidatos: quem pertence a família inscrita no CadÚnico (Cadastro Único para Programas Sociais, a base federal que alimenta o Bolsa Família) com renda mensal por pessoa de até meio salário mínimo, e quem é doador de medula óssea em entidade reconhecida pelo Ministério da Saúde.

A conta da renda por pessoa soma tudo que entra na casa num mês e divide pela quantidade de moradores. Uma família de quatro pessoas com R$ 3.000 mensais tem R$ 750 por cabeça, abaixo do limite de meio salário mínimo, e cabe na isenção mesmo com dois salários entrando.

A isenção não chega pelo correio nem aparece marcada no boleto. Ela sai de um campo do próprio formulário de inscrição, onde o candidato digita o NIS (Número de Identificação Social, os 11 dígitos que o CadÚnico gera para cada morador) e marca a opção de isenção.

O prazo para marcar costuma ser curto. Ele abre com as inscrições e fecha dias antes delas, e quem manda nas datas é o edital que a banca publica. Quem perde essa janela paga a taxa cheia, mesmo cumprindo todas as condições da lei.

Tem mais uma porta, pouco conhecida: o cadastro de doador de medula. Ele custa uma coleta de sangue de alguns mililitros no hemocentro, vale para concursos federais sem limite de renda e costuma ser a saída de quem ganha um pouco acima do corte do CadÚnico.

Quem entra na regra e quem fica de fora, como a banca confere o NIS, em que ordem correm as datas do edital e como uma auxiliar de cozinha de Caruaru fez três provas federais sem pagar boleto, vem nas três partes abaixo.

Continue lendo ↓

 
 

I  O dinheiro de hoje

Dois grupos que a lei tira do boleto

A Lei nº 13.656/2018 vale para concurso de cargo efetivo ou emprego permanente em órgão ou entidade da administração direta e indireta de qualquer dos Poderes da União. Tribunal federal, agência reguladora, universidade federal, INSS, Receita e Banco Central entram na lista.

Família no CadÚnico com renda de até meio salário mínimo por pessoa, ou doador de medula óssea cadastrado, não paga taxa de inscrição em concurso federal, e a banca não pode cobrar a diferença depois.

São isentos do pagamento de taxa de inscrição em concursos públicos para provimento de cargo efetivo ou emprego permanente em órgãos ou entidades da administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União os candidatos que pertençam a família inscrita no CadÚnico, cuja renda familiar mensal per capita seja inferior ou igual a meio salário-mínimo nacional, e os doadores de medula óssea em entidades reconhecidas pelo Ministério da Saúde. (Lei nº 13.656, de 30 de abril de 2018, artigo 1º)

Per capita (por cabeça, em latim) é a palavra que decide a entrada no primeiro grupo. A banca olha a renda dividida pelos moradores registrados no cadastro, nunca o salário do candidato sozinho, e por isso um filho que mora com pais e irmãos costuma caber mesmo trabalhando de carteira assinada.

Quem entra e quem fica de fora, pelo texto da lei e pelos editais das bancas federais:

Família no CadÚnicoentra, com renda por pessoa de até meio salário mínimo
Doador de medula ósseaentra, sem teto de renda, com cadastro no REDOME
Cadastro no CadÚnico desatualizadofica de fora até a atualização no CRAS
Candidato sem cadastro nenhumfica de fora, porque a banca não tem onde conferir
Concurso estadual ou municipaldepende de lei própria do estado ou da cidade
Seleção temporária sem cargo efetivofora da lei federal, vale o que o edital disser

O REDOME (Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea) recebe o cadastro de pessoas de 18 a 35 anos, com boa saúde, que vão ao hemocentro, preenchem uma ficha e deixam uma amostra de sangue. O comprovante de cadastro emitido pelo hemocentro é o documento que o edital pede para essa isenção.

O CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) é o balcão da prefeitura onde a família entra no CadÚnico e atualiza os dados. Cadastro sem revisão há mais de dois anos perde validade para a conferência, e a solicitação de isenção cai mesmo com a renda dentro do limite.

Declaração falsa tem preço alto. A lei prevê cancelamento da inscrição, exclusão do concurso e anulação da nomeação, se a fraude aparecer depois da posse, além da resposta penal pela informação inventada.

 
 

II  Calendário do Dinheiro

Do edital ao boleto que ninguém precisa pagar

A isenção corre num calendário próprio, mais curto que o das inscrições, e a data de encerramento dela vale tanto quanto a renda dentro do limite.

O caminho de uma solicitação, na ordem em que as bancas federais costumam organizar:

Edital publicadotraz o período de isenção, quase sempre de três a dez dias
Inscrição com NISo candidato digita os 11 dígitos e marca a opção de isenção
Consulta ao SISTACa banca confere o NIS no sistema federal ligado ao CadÚnico
Resultado preliminarlista de deferidos e indeferidos no site da banca
Recursoprazo curto, em geral de dois dias úteis, para contestar a negativa
Resultado finalquem ficou indeferido ainda pode pagar o boleto no prazo normal

O SISTAC (Sistema de Isenção de Taxa de Concursos) é a ferramenta do governo federal que responde à banca se o NIS existe, se a família está ativa no CadÚnico e se a renda por pessoa cabe no limite. A resposta sai do cadastro, e a palavra do candidato conta pouco nessa etapa.

O nome digitado no formulário precisa bater letra por letra com o registro do CadÚnico, com data de nascimento e nome de mãe idênticos. Um acento a mais, um sobrenome abreviado ou uma data trocada viram negativa automática no cruzamento.

A negativa não tira o candidato do concurso. O resultado final da isenção sai antes do vencimento do boleto, e quem foi indeferido gera a guia no site da banca e paga como qualquer inscrito, sem perder a vaga na prova.

Os documentos que convém ter em mãos na hora da inscrição:

NIS do candidatoconsultado no aplicativo Meu CadÚnico ou no CRAS
CPF e documento de identidadecom os dados idênticos aos do cadastro
Comprovante do REDOMEsó para quem pede a isenção como doador de medula
Data da última atualização do CadÚnicovisível no aplicativo, para checar a validade

A atualização no CRAS pode levar semanas para aparecer na base federal, porque a prefeitura envia os dados em lote. Quem espera o edital sair para atualizar o cadastro corre o risco de ver o SISTAC ler a versão antiga.

 

Quem banca a edição de hoje

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III  Testado pela redação

As três provas que Tainara fez sem pagar inscrição

Passo 1: abra o aplicativo Meu CadÚnico, confira o NIS e a data da última atualização, e anote os dois enquanto nenhum edital estiver aberto.

Passo 2: leia no edital o período de isenção, marque a data de encerramento no calendário do celular e faça a inscrição com o NIS logo no primeiro dia.

Passo 3: acompanhe a lista preliminar no site da banca e, se vier negativa, entre com recurso no prazo curto que o edital fixar.

A redação acompanhou o caso de Tainara Gomes da Silva, auxiliar de cozinha em Caruaru, em Pernambuco, que autorizou o uso dos números dela. Ela mora com a mãe e dois irmãos, a casa soma R$ 2.800 por mês e a renda por pessoa fica em R$ 700.

A primeira tentativa deu errado. Tainara pediu isenção num concurso de nível médio para um tribunal federal e recebeu indeferimento no resultado preliminar: o cadastro da família tinha a última atualização feita havia dois anos e meio, e o SISTAC não confirmou os dados.

Ela foi ao CRAS da cidade, atualizou o CadÚnico com a renda nova do irmão e pagou aquele primeiro boleto, de R$ 85, porque o recurso não tinha como corrigir um cadastro vencido. Cinco semanas depois, a atualização apareceu no aplicativo.

Nos três editais federais seguintes, a solicitação passou no resultado preliminar, sem recurso. O que ela deixou de pagar, pelos valores de taxa de cada edital:

Concurso de nível médio para autarquia federalR$ 85
Prova de nível médio do Concurso Nacional UnificadoR$ 60
Concurso de técnico para universidade federalR$ 130
Soma das três taxas isentasR$ 275
Taxa paga na tentativa com cadastro vencidoR$ 85

Uma visita ao CRAS e três campos de NIS preenchidos devolveram R$ 275 a uma casa com R$ 700 por pessoa; sem a atualização, as mesmas provas custariam o valor cheio de cada boleto.

A conta cresce com a quantidade de editais: quem faz seis provas federais por ano, com taxa entre R$ 60 e R$ 130, deixa de pagar algo entre R$ 360 e R$ 780 no ano, e o dinheiro pode ir para livro, apostila ou passagem até o local da prova.

Quantos editais federais você fez nos últimos dois anos pagando uma taxa que o seu NIS poderia ter apagado?

Hoje: abra o aplicativo Meu CadÚnico, confira a data da última atualização e anote o NIS no bloco de notas do celular. Uma consulta, cinco minutos, até amanhã à noite, e se a data passar de dois anos, agende o CRAS na mesma ligação.

 
 
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Quiz da edição

Depois que o candidato digita o NIS no formulário de inscrição, qual sistema federal a banca consulta para saber se a família está ativa no CadÚnico e se a renda por pessoa cabe no limite?

AREDOME
BCRAS
CSISTAC
DMeu CadÚnico

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