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ED 008

O remédio da pressão sai por R$ 0 no Farmácia Popular

Hipertensão, diabetes e asma têm lista gratuita na farmácia credenciada, a retirada pede receita e documento com foto, e a receita vale 120 dias.

Receita médica dobrada sobre o balcão da farmácia de bairro, ao lado da cartela de comprimidos genéricos.

O adesivo do programa fica na porta da farmácia

 

A caixa de losartana de 50 miligramas custa R$ 21,90 na gôndola da drogaria, e quem toma dois comprimidos por dia leva duas caixas por mês. São R$ 43,80 saindo do orçamento antes de somar o remédio do diabetes.

Na farmácia credenciada ao Farmácia Popular, a mesma caixa sai por R$ 0. Não é desconto de 20%, não é cupom de aplicativo, e não depende de negociação no balcão.

O programa existe desde 2004 e paga a conta direto para a farmácia. Em 2011 os remédios de hipertensão e diabetes entraram na faixa gratuita, e os de asma vieram em 2012.

A lista é federal e não muda de bairro para bairro. A farmácia da esquina credenciada entrega o mesmo item da rede grande do centro, pelo mesmo preço de zero.

Três coisas resolvem a retirada: a receita dentro do prazo, um documento oficial com foto e o CPF do paciente. Sem cadastro prévio, sem carteirinha, sem prova de renda.

O que trava a fila é quase sempre a receita. Ela vale 120 dias contados da emissão, e o sistema do Ministério da Saúde recusa a data vencida com o remédio já na bancada.

O balcão do programa é o mesmo balcão da farmácia. Não existe fila separada, guichê especial nem dia certo da semana, e a autorização é digitada na hora, com o CPF do paciente.

Quem cuida do remédio de outra pessoa também retira. Basta levar o documento com foto e o CPF do paciente, junto com o documento de quem vai até o balcão.

A economia aparece no acumulado. Uma casa com um hipertenso e um diabético gasta perto de R$ 860 por ano em genérico de uso contínuo, e todo esse valor está na lista gratuita.

O adesivo na porta é o primeiro filtro. Farmácia sem o selo do programa não tem acesso ao sistema, cobra o preço cheio, e a viagem até o balcão vira perda de tempo.

Antes de sair de casa com a receita na mão, a pergunta que decide a viagem é uma só: o seu remédio está na lista das três doenças que saem por zero, ou na lista que sai com desconto.

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I  O dinheiro de hoje

Hipertensão, diabetes e asma saem por R$ 0

A lista dos itens gratuitos é definida em portaria do Ministério da Saúde e vale igual em qualquer farmácia credenciada do país. Ela não depende do dono da loja nem da região, e o sistema só autoriza o que está nela.

Nas três doenças da faixa gratuita o preço no balcão é zero, sem renda mínima e sem cadastro prévio. O programa paga a farmácia por fora, e o paciente sai com a caixa e um cupom no lugar do troco.

Na hipertensão a lista traz os genéricos mais receitados do país: losartana potássica de 50 miligramas, maleato de enalapril, captopril, atenolol, propranolol e hidroclorotiazida.

No diabetes entram a metformina de 500 e de 850 miligramas, a glibenclamida e as insulinas humanas NPH e regular, o item mais caro da lista para quem depende de aplicação diária.

Na asma a faixa gratuita cobre o dipropionato de beclometasona, o sulfato de salbutamol em aerossol e o brometo de ipratrópio em solução, os três em apresentações fixas definidas na portaria.

Fora das três doenças o programa continua, com copagamento. Dislipidemia, rinite, glaucoma, osteoporose, doença de Parkinson, anticoncepcional e fralda geriátrica saem com desconto que chega a 90% do preço de referência.

A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença. (Constituição Federal, artigo 196, 1988)

Quem está inscrito no Cadastro Único leva sem pagar nada também os itens dessa segunda faixa. O CPF cadastrado é o que abre a gratuidade completa quando o atendente digita a autorização.

O medicamento entregue é o genérico ou o similar que consta da lista, com o mesmo princípio ativo da receita. Marca de referência escrita no papel não impede a retirada, desde que o princípio ativo esteja lá.

A farmácia credenciada não pode cobrar taxa de serviço, de emissão de cupom ou de consulta ao sistema. Qualquer valor pedido no balcão por item da faixa gratuita é cobrança irregular.

O credenciamento é da loja, não da rede. Uma unidade de uma bandeira pode estar dentro do programa e a da rua seguinte ficar fora, e o localizador do Ministério da Saúde mostra endereço por endereço.

O selo do programa fica na porta e no caixa, e o sistema de autorização roda online. Farmácia sem credenciamento não consegue registrar a retirada, mesmo que queira atender.

A unidade básica de saúde é a outra porta, com a farmácia do SUS e uma lista própria, que inclui itens que a drogaria não dispensa. As duas portas funcionam ao mesmo tempo, e nenhuma exclui a outra.

Vale conferir a lista antes da consulta e levar o nome dos itens para o consultório. Receita escrita já com o princípio ativo da faixa gratuita evita a segunda viagem ao médico.

 
 

II  Calendário do Dinheiro

120 dias até a receita perder a validade

A receita vale 120 dias contados da data de emissão, e serve para mais de uma retirada dentro do prazo. Vencida a data, o sistema recusa a autorização, mesmo com o remédio na bancada e o paciente na frente do atendente.

O prazo conta da emissão, não da primeira retirada. Receita assinada no dia 3 de março vale até o começo de julho, e a contagem não pausa quando o paciente demora a procurar a farmácia.

Dentro dos 120 dias a mesma receita autoriza a retirada mensal. Não é preciso voltar ao médico a cada caixa, e a farmácia guarda o registro de cada autorização no sistema.

O ciclo entre uma retirada e a seguinte é de trinta dias de tratamento. A quantidade liberada segue a posologia escrita na receita, e quem volta antes do prazo recebe recusa do sistema, não do atendente.

Receita do SUS e receita particular valem igual. O que o sistema exige é o nome do paciente, o item pela denominação genérica, a posologia, a quantidade, a data, e a assinatura com o registro do profissional.

Receita digital com assinatura eletrônica também é aceita, apresentada na tela do celular ou impressa. O código de validação é o que a farmácia confere, e o arquivo continua valendo pelos mesmos 120 dias.

A data de vencimento da receita é a única do calendário que ninguém avisa, e ela chega antes do fim do tratamento.

Duas datas resolvem o ano inteiro: a da próxima retirada, trinta dias à frente, e a do vencimento da receita, 120 dias à frente. As duas cabem no calendário do celular, com alarme uma semana antes.

A consulta de retorno pede antecedência. Marcar a reavaliação com trinta dias de folga antes do vencimento evita o mês sem remédio, que costuma ser justamente o mês em que a pressão sobe.

O cupom da retirada traz a data, o item, a quantidade e o valor que o programa cobriu. Guardado numa pasta, ele vira a régua exata do que a casa deixou de gastar no ano.

Mudança de endereço não recomeça nada. O registro é nacional e segue o CPF do paciente, e a retirada do mês seguinte pode acontecer em outra cidade, em qualquer farmácia credenciada.

Feriado e fim de semana entram na contagem dos 120 dias. O prazo é em dias corridos, e cair num domingo apenas antecipa a viagem ao balcão, sem esticar a validade.

O calendário do remédio de uso contínuo tem duas colunas: a do estoque em casa e a do papel na gaveta. Quem só olha a caixa descobre tarde que o papel venceu primeiro.

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III  Testado pela redação

A retirada no balcão levou 7 minutos

Passo 1: confira no localizador do Ministério da Saúde quais farmácias perto de casa estão credenciadas, e anote o endereço e o horário de funcionamento.

Passo 2: leve a receita dentro dos 120 dias, um documento oficial com foto e o CPF do paciente, e peça o item pelo nome do princípio ativo.

Passo 3: guarde o cupom da retirada e marque duas datas no celular: a da próxima caixa, trinta dias à frente, e a do vencimento da receita.

O teste da redação começou às 8h20 de uma terça-feira, numa drogaria de bairro com o adesivo do programa na porta. Do primeiro toque no balcão à saída com a sacola foram 7 minutos, três deles de fila.

A receita tinha 33 dias de emitida e listava dois itens de uso contínuo: losartana potássica de 50 miligramas, dois comprimidos por dia, e metformina de 850 miligramas, dois por dia.

O atendente pediu a receita, o documento com foto e o CPF, digitou o cadastro no sistema do programa e imprimiu a autorização. A assinatura no cupom fechou a retirada, sem pagamento em nenhuma etapa.

Na mesma loja, a gôndola cobrava R$ 21,90 pela caixa de losartana com 30 comprimidos e R$ 13,90 pela de metformina. Como o consumo é de duas caixas de cada por mês, a compra sairia por R$ 71,60.

São R$ 859,20 em doze meses, num orçamento em que esse valor costuma sair do mercado do fim do mês. O cupom da retirada mostrou os mesmos dois itens por R$ 0,00.

A primeira loja da lista não tinha a apresentação de 850 miligramas em estoque. A segunda, a dois quarteirões, tinha, e a receita foi usada inteira lá, sem nova autorização médica.

O sistema recusou a primeira tentativa por causa da quantidade escrita a mais na receita. O ajuste saiu na hora, com a liberação do total previsto para trinta dias e o restante marcado para a retirada seguinte.

Um segundo teste tentou usar uma receita de cinco meses. O sistema recusou pela data, e a saída foi a consulta de retorno na unidade básica, com receita nova emitida no mesmo dia.

Nenhuma farmácia credenciada pode cobrar taxa pela retirada, e nenhum atendente pode condicionar o remédio gratuito à compra de outro produto.

Confira a validade da receita antes de sair de casa, e não depois da fila. Se a data já passou, o caminho é a consulta de retorno, e o remédio do mês continua saindo por zero assim que o papel novo chegar ao balcão.

"Qual é a data de emissão da receita que está na sua gaveta hoje?"

 
 
Quiz da edição

Por quantos dias vale a receita apresentada na farmácia credenciada, contados da data de emissão?

A30 dias
B60 dias
C120 dias
DAté o fim do ano em que foi emitida

Defenda seu título de Vigia (3 acertos seguidos garantem o primeiro).

Veja o ranking de quem mais acerta 

 
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